sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A barca


Barca
Flutuante
Entre a névoa
da existência,
Vagueia
Inconstante
entre a trégua
da demência.
E o vento
errante
Entre a tréva
e o remo.
Balança
os dias
e as noites
sem que haja
-Navegar.

-Mateus Araujo

Pintura - Claude Monet

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Carta


Venho a ti, Andorinha, com a súplica
que emana e grita como um corpo devasso
da alma vã e a languidez do cansaço
Com desterro molhado que a lágrima implica.

Tu, que canta no repouso do espaço
As imensidades dos dias e noites funéreas
Ergue teus cânones as vozes etéreas
do sonho pousado em mares escassos.

Dos cedros seculares resta teu combate
Soldado como o Sol que renasce sempre virgem
sobra tu -ainda- de uma enfermidade humana.

Dentre o concreto renasça-te soberana
alterando entre a razão que vem valsando
e teu canto à ânsia da inconstância.

-Mateus Araujo

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

-Augusto dos Anjos

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos
(20 de abril de 1884 em Cruz do Espírito Santo a 12 de novembro de 1914 - Leopoldina)
Foi um poeta brasileiro, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano. Mas muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, concordam em situá-lo como pré-moderno.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Jessy Beraldo

Um dos quadros de Jessy Beraldo.
Uma promessa à nova arte?
Muito lindo.
*_*

Blog dela >

sábado, 31 de outubro de 2009

Minh'alma é triste

I
Minh'alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o albor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.

E, como a rola que perdeu o esposo,
Minh'alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas.

E como notas de chorosa endecha
Seu pobre canto com a dor desmaia,
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia.

Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio,
Minh'alma quer ressuscitar nos cantos
Um só dos lírios que murchou o estio.

Dizem que há gozos nas mundanas galas,
Mas eu não sei em que o prazer consiste.
- Ou só no campo, ou no rumor das salas,
Não sei porque - mas a minh'alma é triste!

-Casimiro de Abreu

domingo, 18 de outubro de 2009

Rotinas

Há 2 tipo de rotina. Observamos quem somos, e a rotina quando não está evolutiva é desperdiçadora de um valor indispensável, o saber que somos capazes do evoluir. Dai digo que temos que sentir sempre a evolução pra quando chegar no momento da análise podermos saber do progresso, dando impulso aos atos mais valiosos, e assim evoluir em ainda maior intensidade. A importância para uma satisfação é a de saber que não estamos parados. O resultado final é valioso. Use da rotina dos bons atos e ao espelhar-se saberá que é único e constante evolutor.

-Mateus Araujo

sábado, 17 de outubro de 2009

MedoZeroCinco - Nova1


Recomendo!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Canto IV - Nevasca

Fui de terras de campinas vis
guerrilhas sutis, amores mimosos
tanto de olhares propostos
e de conjuntos viris.

Andei por onde festejam
por jasmins ou mil açores
desvairado de ingratos amores
e de raios que arquejam.

Vontade velosa das dores
voeja aos ares - sem flores
e mergulha com ópio às águas

E me vem neste escuro silente
sem suspiro à alma contente
eloquir em nevascas, as mágoas.

-MateusAraujo

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Canto III - Entre espelhos

Sou duos de espelhos enfrentados
um reflexo se confunde com o outro
e a luz que transpassa se esvaira,
E a solidão neste imenso abandonado

faz-se múltipla à minh´alma assombrada.
Neste orgíaco movimento do silêncio
enquanto o vento e a alma sepulta
arrefecem a lágrima transviada.

Cosmopolita sonambólico numa estrada
refletida de continentes e oceanos azuis,
Fugindo do ermo, fingindo ser cada

pedaço externo das esperanças lentas,
terraço sem pedra e voz sonolenta
me despindo a dissonância lacrada.

-Mateus Araujo

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Escada casual



Se todas as escadas fossem assim os índices de obesidade e doenças relacionadas ao sedentarismo certamente seriam muito menores.

Neste experimento foi confirmado que 66% de pessoas a mais usaram as escadas para ouvir o som do piano.

retirado de:

Ps.: Me dá uma dessa? *_*